carretel


um carretel... quanto mais rolo mais me enrolo...


Fios de cores diferentes as vezes parecem terminar, mas quando vejo mais nós surgem e são impossíveis de desatar. A cada movimento mais tramas se enroscam... se fico parado os nós nao se desatam e parecem possuir vida própria para se enrolarem sozinhos da forma mais confusa que puderem, se me movo cada movimento complica ainda mais a confusao dos fios... Um carretel.


(seria a luz dos olhos do Iberê)

O inimigo

Hoje o inimigo me fitou do alto de sua torre de vigia. Não que necessariamente eu fosse o centro de seus pensamentos ou sequer o foco principal dos seus olhar esmagador naqueles instantes. Avaliava a todos nós, lá do alto, com pesos e medidas que só ele compreendia e sua mente fervilhava em pensamentos que temo imaginar. No entanto, eu desempenhava minha atitude de fênix com certo louvor (e não somente eu, principalmente não somente eu).

A segunda vez que o vi me olhava do mesmo nível, o que o possibilitou uma melhor observação. Seus olhos vermelhos e faiscantes envoltos em uma cabeça de ogro continham uma especial mistura de assombro, pitadas de admiração e instantes de ódio. Podia imaginar seu sorriso amarelo de hipocrisia ao desempenhar seu papel social de bom samaritano. O que ele não esperava era que sua presença aperentemente intimidadora nos daria ainda mais força.

As mais de 150 pessoas sorriam participativas quando desapereceu por entre as fileiras de vultos. Não o vi mais.
E o show continuou...

Além das páginas

É interessante como as coisas acontecem e como o que fizemos no passado acaba, de uma forma ou de outra, encontrando-se com nosso presente. E isso muitas vezes é bom! Algumas pessoas sabem que dos 15 aos 17 anos escrevi um livro chamado PAVOR - minha primeira experiência real como autor. Elaborado a quatro mãos (já que a idéia era partilhada por meu amigo e co-autor José Guilherme Marcon), a história era uma narrativa policial que refletia nossa visão de serial killer um tanto embaçada pelo cinema americano da época, com uma mistura entre suspense, terror e pitadas de anormalidades e surpresas que a maioria de alguns livros que lia naqueles anos não continha. Conforme passam os anos, nos tornamos mais críticos em tudo (com naturalidade de quem conhece mais sobre as coisas) e o ótimo da época não recebe mais a mesma definição. No entanto, como um primogênito, é amado.

Passados 11 anos desde sua edição, eis a surpresa! O dito livrinho retorna a minha mente, não apenas pelas minhas lembranças, mas por fatos que eu não esperava. Após ter descoberto que o danadinho tinha ido parar na Itália abri um sorriso de orelha a orelha. “Nossa, Itália!” fiquei suspirando durante quase duas semanas. Uma moça havia comprado o livro aqui em Caxias do Sul, e dera de presente a sua filha que gostava de suspense e que mora lá.

Certa vez cheguei em casa, e havia uma carta em cima da mesa do meu quarto. Escrita com letras desenhadas e com certas tonalidades de cor, era de uma menina de 12 anos (quase a idade do livro) que me mandara sua história como aspirante a escritora. Na carta dizia que havia lido o livro na escola e pedia informações de como eu o tinha escrito e falava de seus próprios textos. Até hoje é um mistério como ela tinha meu endereço morando quase do outro lado da cidade.

Nos últimos dias fui tomado pela idéia de escrever de novo. Desde que me dediquei ao mundo empresarial e achava que tinha jeito para empreendedor nunca mais dei bola para “essas coisas de escrever”. Mas como todo sono, por mais longo que seja, acordamos. E foi isso que aconteceu, como um despertar repentino onde achamos que dormimos por tempo demais e é hora de arregaçar as mangas e correr em busca do que realmente é importante. Entendam, adoro minhas empresas, adoro metas e principalmente desafios, mas ter esquecido o que me inspirava primordialmente foi um erro. Com essa sensação na cabeça, dois fatos novos aconteceram. Andava pelo Espaço MultiCultural quando fui tomado de assalto por uma das professoras me avisa que a sua aluna havia comentado sobre PAVOR (pois o vira na estante de nossa biblioteca após eu levar alguns exemplares). Mais surpreendente foi o comentário da aluna: esse foi o primeiro livro que eu li na vida sem figuras até o fim! Até a ficha cair, acredito que demorei umas boas 12 horas. “Poxa! Poxa!”

Dois dias depois fui ver se o antigo site sobre PAVOR, estava no ar. Um que fizemos no Word sem mesmo saber muito sobre sites e quando a internet e computadores particulares eram novidades (quem tinha um era destaque!). Não encontrei o site, mas encontrei algo que me deixou entusiasmado. Estava escrito em uma página: Estante Virtual, PAVOR, Editora EDUCS, 1997, Estante Literatura Brasileira, Cadastrado em 11/06/2008, 133p., Formato Brochura. Pode parecer bobagem, mas sim, Pavor estava sendo vendido On-Line (e eu nem sonhava).

Estou contente. Um livro é mais que páginas envoltas em uma capa interessante e sua história não pertence unicamente ao seu autor. Cada livro realmente tem uma história própria. Cada exemplar. É mágico pensar em quantas coisas possam ter acontecido em volta dessa força artística criada pelo homem.

Mesmo sendo uma experiência sutil como escritor, PAVOR me prova que o livro é algo insuperável e uma forma de arte eterna. E novamente recosto minha cabeça em meus travesseiros durante a madrugada, olhando para o teto e imaginando. Mais importante que a história que narramos no livro, são as histórias reais que aconteceram em volta dele. Quantas mais? Quantas?

Um primeiro momento de apresentação

Não peçam de mim muita coisa. Não sei como fui sugado para esse ambiente virtual. Para mim é algo novo esta necessidade tão repentina vinda de madrugada. Só sei que fui atraido como as moscas pelo melado. E como elas, aceitei o risco por esse ato.

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De que importa quem sou? Que características buscam se sempre haverá algo que irá desagradar? Sempre! Não existe perfeição, convençam-se disso! Ninguém vai ser seu ídolo por muito tempo pois quanto mais se descobre sobre alguém (e estou falando da verdade, não dos bonecos de pano com adereços que saíram de figurinhas de chiclé) mais se descobre que existem coisas boas e - pasmem - ruins! Gostem de mim pelo que sou, e não pelo que vocês querem que eu seja. Não me transformem em sua mente, pois pode ser penoso (pra vocês) ter de ver que na realidade não sou o que imaginaram (e isso não me faz pior). Não criem ilusões, se aproximem de mim pela verdade.


Eu imaginava que iria muito longe, mas nunca pensei que chegaria até aqui. Vivo um momento esplêndido, tão importante que não sei lidar com ele. Tenho ao meu redor muito mais do que muitos têm, e não falo de apenas de bens visíveis. Eu achava que algumas coisas me fariam feliz, mas me enganei e descobri ao acordar que muito do que me faz feliz bateu a minha porta de surpresa. Sempre recebi presentes divinos, presentes que muitos sonharam - novamente não falo de bens materiais - e sempre tentei dar um pouco mais de mim e descobri que por mais que imaginei estar andando num caminho claro, sempre enxergam bem meu tropeço mais discreto. Os olhos saltam quando vemos um pequeno deslize mas se fecham à mente quando realizamos grandes feitos (é irônico). Sempre achei que eu iria mudar o mundo. Talvez eu não consiga. Avaliando minuciosamente eu comecei muito bem, pois posso ter mudado o mundo de uns poucos (e esses o meu). E isso pra mim vale tanto. Como vale! Pra sempre!


Sinto tristeza as vezes por ter crescido e mudado meus conceitos mais sublimes, mais inovadores e o que mais me abate (e surpreende) é que quanto mais se cresce se perde o conceito do que é certo e errado (eu sempre achei que era o contrário mas não é - peça a uma criança e ela rapidamente lhe dirá como agir e quem é o mocinho e bandido). Quando crescemos nos perdemos. Agimos como se fôssemos obrigados por algo maior e achamos que estamos certos quando estamos errados e encobrimos com folhas de bananeira. E filosofamos sobre o que é culpa como se não soubéssemos desde pequenos. Nos perdemos na hipocrisia da teoria.Tenho medo de perder a criatividade, apesar do hiato de alguns anos se abater sobre mim ainda luto e acredito. Afinal eu sei que realizei grandes coisas no último ano que eu nunca sonhei que faria no ano anterior. Luto para acreditar em mim, mas me surpreendo quando olho pra trás. Não quero acreditar nas formas sóbreas que o mundo anda se apresentando agora. Sempre busquei a pureza e a verdade e muito me testam por isso. E muito perdi por isso. E muito me enganei por isso. E muito me anganaram por isso. Confio em poucos e poucos confiam em mim. Não sou rabugento (e poucos sabem, talvez dois, até três) pois adoro passar a fama de rabugento.


Sou controverso, me perco as vezes no humor de cada manhã. Preciso de motivação! De sonho e de fantasia! Mesmo com os pés na realidade eu acredito que o dia possa ser surpreendente. Não espero dos outros muito, veja bem, mas apenas um pouco mais de fé em algo diferente, como sentimentos. Hoje quem os busca? Podemos estar mumificados em nossas cadeiras de escritório sofrendo mas preferimos buscar os vis pedaços palpáveis a buscar algo que nunca poderemos tocar. Felicidade! Estamos em jaulas invisíveis e não notamos. Só quero poder acertar e errar (que é comum e humano) e melhorar. Quero aprender a me convencer que todos somos assim e compartilhar de toda essa magia que é a vida sem se confundir diante de uma encruzilhada de dois caminhos. Eu prefiro uma que tenha vários, e quero seguir por todos. A vida passa tão rápido e o que importam as convenções e os modismos quando ao fim se percebe que não se fez nada e que não há outra chance? E sim, isso me é importante! Quero olhar de lá com orgulho!


* E quanto a mudar o mundo, talvez eu precise mudar o meu primeiro, da minha forma (certa e errada). Não será nada fácil, mas não quero parar de tentar... nunca! Essa é minha força!