O inimigo

Hoje o inimigo me fitou do alto de sua torre de vigia. Não que necessariamente eu fosse o centro de seus pensamentos ou sequer o foco principal dos seus olhar esmagador naqueles instantes. Avaliava a todos nós, lá do alto, com pesos e medidas que só ele compreendia e sua mente fervilhava em pensamentos que temo imaginar. No entanto, eu desempenhava minha atitude de fênix com certo louvor (e não somente eu, principalmente não somente eu).

A segunda vez que o vi me olhava do mesmo nível, o que o possibilitou uma melhor observação. Seus olhos vermelhos e faiscantes envoltos em uma cabeça de ogro continham uma especial mistura de assombro, pitadas de admiração e instantes de ódio. Podia imaginar seu sorriso amarelo de hipocrisia ao desempenhar seu papel social de bom samaritano. O que ele não esperava era que sua presença aperentemente intimidadora nos daria ainda mais força.

As mais de 150 pessoas sorriam participativas quando desapereceu por entre as fileiras de vultos. Não o vi mais.
E o show continuou...

1 comentários:

Fábio disse...

Olha aí de novo o execelentíssimo escritor.
Concerteza "o Inimigo" me pasou a idéia de um Deus, o Deus que nós vigia, nos mete medo, que nos faz pensa o quanto tentamos descubrir o que passa pela sua mente e o que Deus realmente acha de nós.
Valeu Edz!!
Quero ler mais!!!