Hoje


Hoje são todos os rostos teus que agora sinto naquelas tuas palavras poéticas de ontem, e que se insinuaram em mim como mensagens, de que a vida pode ser cambiante como marés, que ora deslizam céleres como mar de abrolhos, e outras tão lentas como um descaso de pôr de sol. As noites mágicas, que eram presentes da noite, agora escondem suas faces nas asas de um cisne, que desliza suavemente sobre tuas tristes mágoas, porque se eram uma ...agora são cordéis inteiros, que se vão se desfiando, desmanchando em contas, como se o coração não suportasse mais uma oração, esgotado pelas incertezas de um porvir do nada vir, porque se da alma nada mais é possível servir-se, o corpo resta abandonado, inerte à sua própria sorte, totalmente indiferente aos reclamos das vontades, e daquelas paixões que se debruçam sobre ele, corpo esse confiscado de um amor antes sedento. Essa tua volúpia inquebrantável cobrindo seu corpo, com toda aquela realidade mesclada... numa voracidade nossa conhecida. E tudo isso...todos esses momentos belos agora parecem marés indecisas, num nem sobe nem desce. E tudo parece refletir apenas amplas mágoas ... repletas de reticentes queixumes...que as marés vão lavando... lavando e levando... até o dia em que chegaremos a bela ilha, em terra firme, e todas os desvéns da viagem, da partida à chegada, ora tempo perdido, ora tempo necessário, contado em segundos de ponteiro, serão parte de um passado sobrepujado pela alegria de um presente vivo... e de um futuro verdadeiro.

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